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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cães e gatos possuem pressão intraocular normal entre 10 e 25 mmHg. O glaucoma freqüentemente resulta em pressões de 20-28 mmHg em humanos, mas pressões de 45-65 mmHg são comuns em cães e gatos. Por este motivo, o glaucoma em animais é mais doloroso que em humanos. A dor persiste na forma de uma dor-de-cabeça ou enxaqueca constante. Este desconforto pode causar uma atividade menor, menos desejo de brincar, irritabilidade ou menor apetite, e freqüentemente não é aparente para o dono. (sosanimal)
O Glaucoma é uma doença grave, de causa multifatorial, caracterizada pela elevação da pressão intra-ocular e pela morte de células da retina e do nervo óptico. É o maior desafio encontrado na oftalmologia veterinária, e também na humana, pois promove cegueira irreversível, sendo, portanto, considerado uma emergência oftálmica.



O humor aquoso (líquido de dentro do olho) é constantemente produzido e eliminado. Ele tem a função de “nutrir e limpar” o olho, além de manter a pressão constante dando forma ao olho. Qualquer situação que aumente a produção ou dificulte a drenagem do humor aquoso modifica a pressão intra-ocular e pode levar ao glaucoma.

Existem vários tipos de Glaucoma: congênitos (alterações de nascença geralmente em cães da raça Chiahuahua, Bouvier dês Flandres, Schnauzer Gigante, Cocker Spaniel e Samoieda), primários (aparecem sem ter tido doença ocular prévia e são ligados a algumas raças) e secundários (causados por inflamação, trauma, catarata, luxação da lente ou tumor intra-ocular).


O glaucoma agudo é uma emergência veterinária que pode produzir cegueira em questão de horas. O diagnóstico de glaucoma pode ser feito somente por um exame oftalmológico veterinário e medida da pressão intra-ocular.
Esta é uma razão pela qual é tão importante levar o seu cão a um hospital veterinário imediatamente sob suspeita de um olho doloroso. O tratamento médico envolve o uso de drogas para reduzir a pressão intra-ocular rapidamente
De acordo com especialistas cerca de 40% dos cães diagnosticados com glaucoma perdem a visão e, eventualmente, os cães diagnosticados com apenas um olho cego, teria o outro olho afetado por glaucoma dentro de alguns meses a um ano.
Glaucoma não é facilmente detectável nos estágios iniciais os sinais geralmente aparecem próximo ou após a perda da visão.Os sintomas podem incluir vermelhidão na parte branca dos olhos,nebulosidade(sintoma avançado),dor intensa, visão turva e alargamento do olho,mudança de comportamento ficando mais arredio,evitando saltar, subir e descer de lugares já conhecidos se esbarrar em coisas... alguns ainda coçam os olhos e apresentam lacrimejamento e piscar excessivo . (Fonte: Aqui e Aqui )


O glaucoma é uma doença frustrante porque requer monitoramento constante, pode precisar de várias terapias diferentes, tem alto custo financeiro e apesar de cuidados excelentes ainda resulta em perda permanente de visão. A chave em preservar a visão é detecção cedo e exames oftalmológicos regulares. Por favor, lembre-se: Glaucoma pode causar cegueira apesar de nossos melhores esforços. Um alto nível de compromisso ao tratamento e exames oftalmológicos regulares são necessários para ter a melhor chance de preservar a visão. Se seu animal for diagnosticado com glaucoma primário, por favor, notifique o criador de seu cão.(sosanimal)
Dos animais domésticos, o cão é o que mais apresenta glaucoma, pois existem várias raças com tendência a ter má-formação no “canal” que drena o humor aquoso. Por exemplo: Basset Hound, Beagle, Cocker Spaniel e Poodle, dentre outras. Em gatos a maioria dos casos de glaucoma são secundários à uveítes (inflamação intra-ocular), luxação da lente ou tumor intra-ocular, sendo o glaucoma primário dificilmente visto. Cavalos apresentam menos glaucoma do que cães e gatos e quando ocorre geralmente é secundário à uveíte recorrente eqüina. Parece haver uma predisposição em cavalos da raça Appaloosa (SLATTER, 2005).


Diagnóstico do Glaucoma
O diagnóstico é baseado na tonometria (avaliação da pressão intra-ocular) – Figura 1, na gonioscopia (avaliação do ângulo que drena o humor aquoso), na fundoscopia (exame do fundo do olho) e nos sinais clínicos (buftalmia – olho saltado-, olho vermelho, opacidade de córnea, pupila dilatada) - Figura 2 e 3. Em oftalmologia veterinária a principal forma de diagnóstico e controle do glaucoma é a tonometria e a fundoscopia onde podem ser detectadas alterações iniciais, pois não contamos com diversos exames realizados em oftalmologia humana, apesar de já estarmos avançando na área de ultra-sonografia e eletrorretinografia. Quando o paciente apresenta os sinais clínicos descritos acima já se encontra em um estado muito avançado da doença.


exame para diagnóstico do Glaucoma
Figura 1: Dra Fabiana verificando a pressão intra-ocular de um cão através de tonometria de aplanação.
Cão com Glaucoma
Figura 2: Cão da raça Samoieda com glaucoma apresentando buftalmia (olhos saltados).



Figura 3: Cão com sinais de uveíte e glaucoma. Observe olho vermelho e edema de córnea


Tratamento do Glaucoma

O tratamento clínico é realizado com colírios que diminuem a formação do humor aquoso associados com outros que aumentam a drenagem. O tratamento cirúrgico tem a mesma finalidade, sendo os mais aceitos a ciclofotocoagulação a laser e os gonioimplantes (shunts – válvulas - de câmara anterior). Devido ao custo elevado e ao alto índice de complicações pós-operatórias, o tratamento cirúrgico é realizado ainda em nível experimental no Brasil.

Até o presente momento, o tratamento clínico/cirúrgico do glaucoma visa apenas o controle da pressão intra-ocular, reduzindo desta forma a dor do paciente. Em longo prazo, a cegueira é inevitável, pois apesar dos esforços, ainda não se encontra disponível nenhuma substância capaz de impedir a morte das células da retina (RIBEIRO; MARTINS; LAUS, 2006).


REFERENCIAS
MARTINS, Bianca da Costa; VICENTI, Felipe Antônio Mendes e LAUS, José Luiz. Síndrome glaucomatosa em cães: parte 1. Cienc. Rural [online]. 2006, vol.36, n.6, pp. 1952-1958. ISSN 0103-8478. doi: 10.1590/S0103-84782006000600049.
SLATTER, D. Glaucoma. In:______. Fundamentos de Oftalmologia Veterinária. 3.ed. Roca: São Paulo, 2005. p.405.


Fonte :Oftalmologia Animal, Oftalmologia Veterinária, informações sobre doenças Oftalmológicas em Animais pela Médica Veterinária Fabiana Quartiero Pereira
http://www.oftalmologianimal.com.br/2009/06/glaucoma.html

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Catarata





A catarata é uma doença ocular que afeta bastantes cães e que pode levar à cegueira do animal. Sem cura, a única solução é a cirurgia. Nos casos de sucesso, a visão dos cães melhora acentuadamente.

Os sentidos mais apurados nos cães são o olfato e a audição. A visão vem em terceiro lugar, mas nem por isso deixa de ser um sentido importante. A catarata afeta a visão dos cães, instalando-se como um véu opaco no cristalino ou lente do olho e impedindo assim a passagem de luz. Sem luz ou captação de imagens, o cão não vê. Mas, os cães são animais extremamente adaptáveis e muitas vezes conseguem ultrapassar uma visão reduzida apoiando-se nos outros sentidos e no estabelecimento de rotinas.

Nos casos menos graves, a catarata é parcial, não afetando significativamente a visão. Nos casos mais preocupantes, a catarata cobre toda a lente, levando à cegueira. Os cães desenvolvem, na maioria dos casos, cataratas nos dois olhos, mas a catarata pode desenvolver-se apenas num. Apesar de ser facilmente identificável pela cor acinzentada que dá ao olho, a catarata é muitas vezes confundida com outras doenças que também alteram a cor do cristalino. A verdade é que ao contrário do que seria esperar, a catarata é mais comuns nos cães juvenis.
Cataras x Esclerose nuclear

Tal como os humanos, os cães também desenvolvem cataratas com a idade, sobretudo a partir dos 6 anos. Contudo, na maioria dos casos, os cães idosos desenvolvem esclerose nuclear que é freqüentemente confundida com cataratas.

A esclerose nuclear também causa uma alteração de cor, dando ao olho um tom azulado. Isto é causado pelo endurecimento da lente devido à compressão das fibras mais velhas no olho. Contudo, a esclerose nuclear é um processo normal que resulta do envelhecimento do animal e não afeta a visão, pois não é opaca como a catarata, deixando assim passar a luz. Geralmente ocorre nos animais idosos, a partir dos 8 anos.

                      Esclerose

Cataratas e causas

O desenvolvimento das cataratas pode ser rápido, instalando-se em algumas semanas, ou mais lento, formando-se durante anos. Na maioria dos casos, as cataratas são hereditárias, daí a importância de conhecer o histórico médico dos progenitores do animal que adquirir. Contudo, as cataratas podem ser provocadas por outras doenças, tais como a diabetes. Inflamações, traumas ou exposição a toxinas pode também levar ao aparecimento deste véu.

Todas essas situações vão, na maioria dos casos, desidratar a lente, ou seja, alterar o equilíbrio entre a percentagem de água e de proteína que a compõem. A zona opaca que se forma é o resultado da acumulação na lente de proteínas insolúveis.

A catarata afeta os cães de todas as raças, mas parece ser mais comuns em algumas em particular (ver lista no final do artigo). Dependendo da idade do cão, a catarata pode ser classificada como:
Congênita – Presente desde o nascimento, não significa que seja hereditária, pois podem resultar de infecções. Manifesta-se geralmente nos dois olhos.
Juvenil – Surge em animais até dois anos de idade. A forma mais comum de cataratas nos cães.
Adulta – Ocorre em animais entre os dois e os seis anos
Senil – Manifesta-se a partir dos seis anos. Apesar de ser comum entre os cães, é muito menos freqüente nestes animais do que nos humanos.
  Catarata            


Cirurgia

A partir do momento em que a opacidade da catarata se instala, não é possível tornar o cristalino transparente novamente. A única solução é a cirurgia, o que implica a remoção da lente que pode ou não ser substituída por outra. A principal função da lente é focar, cerca de um terço da focagem das imagens é feita na lente. Uma cirurgia bem sucedida não devolve uma visão a 100% aos cães, mas nos casos bem sucedidos, a melhoria da visão é muito significativa. Nos casos onde a lente não é substituída, que ainda constituem a maioria, os donos são também capazes de notar que a visão do cão melhora consideravelmente, sendo a principal diferença, a dificuldade na focagem de objetos próximos.

Apesar de estas cirurgias serem praticadas há séculos, permanecem ainda bastante delicadas. Existem diferentes técnicas usadas para a remoção da lente.
Liquefação da catarata através da técnica de facoemulsificação. Depois, a catarata é drenada por uma pequena incisão.
Remoção da lente e cápsula circundante
Remoção da lente, deixando a cápsula circundante


Apesar de a cirurgia ser única solução, nem todos os cães são bons candidatos, a idade também é um requisito muito importante, é aconselhável que se faça na idade dos 7 a 8 anos, quanto mais novo melhor ao contrário dos humanos que quanto mais velho melho. Para que a intervenção tenha sucesso é necessário que o cão esteja saudável e tenha o olho, excetuando a lente, em bom estado, ou seja, sem inflamações. Para verificar se estes requisitos são cumpridos, pode ser necessário fazer testes ao animal. Análises de sangue, exame ao estado físico geral, análise do risco da anestesia são geralmente feitos pelo veterinário. Um electrocardiograma para verificar o estado da retina e uma gonioscopia para verificar a possibilidade de desenvolvimento de glaucoma podem também ser realizado. Por vezes a gonioscopia é realizada no próprio dia da cirurgia e o electrocardiograma é substituído por uma ultra-sonografia.

Nos casos em que o animal não pode ser operado, gotas e tratamento de possíveis inflamações podem ser administrados de acordo com o diagnóstico do veterinário. Contudo, a catarata permanece.





Globo Ocular: A catarata forma-se na lente




O papel e expectativas do dono

As operações envolvem sempre riscos e esta não é exceção. Contudo, os donos podem-se manter otimistas já que a taxa de sucesso deste tipo de cirurgia ronda os 90/95%. Nos restantes casos, podem surgir complicações que façam com que a visão do cão não melhore ou que levem à cegueira.

Geralmente é o pós-operatório o que muitas vezes determina o sucesso da cirurgia. Os cães têm tendência a fazer mais inflamações pós-cirúrgicas do que os humanos. As principais preocupações são o desenvolvimento de glaucomas, a cicatrização dos tecidos (que limita a visão), o deslocamento da retina e inflamações internas.

Os cuidados pós-operatórios são por isso muito importante. Siga as indicações do veterinário que provavelmente recomenda a administração de medicamentos orais e gotas para os olhos. As gotas podem ter de ser aplicadas durante vários meses. Os cães geralmente têm de usar colares elisabetanos para impedir que cheguem aos olhos com as patas.

No caso de cirurgias bem sucedidas, o dono pode esperar melhorias logo na primeira semana. Contudo é também normal que só na segunda e terceira semana se comece a notar algo significativo. A maioria dos cães não exibe dor depois da cirurgia.
Raças onde a incidência de cataratas é significativa

Fonte: Base de dados de Problemas Caninos Hereditários da Universidade Canadiana Prince Edward Island 
Akita – geralmente associado a cães de olhos pequenos
Antigo Cão de Pastor Inglês (Bobtail) - congénita, juvenil, adulto,
Australian Cattle dog – Blue Heeler
Baixote
Basinger - congênita
Beagle – congênita
Bearded Collie – juvenil, adulta
Bedlington Terrier – juvenil
Bichon Frisé – juvenil
Boieiro da Flandres – congénita, juvenil, adulta
Border Collie – adulta
Boston Terrier – juvenil, provocando a cegueira por volta dos 2/3 anos; senil, mas raramente limitando a visão
Caniche – juvenil
Cão de Água Português,
Cavalier King Charles Spaniel - juvenil
Chesapeake Bay retriever – adulta
Chow chow - congênita
Clumber spaniel
Cocker Spaniel Americano – juvenil
Cocker Spaniel Inglês - juvenil
Collie (rough and smooth) - congênita
Curly-coated retriever – adulta
Dálmata
Dogue Alemão – juvenil
Elkhound - juvenil
English Springer Spaniel – congênita, juvenil, adulta
Épagneul Anão Continental - juvenil, adulto,
Épagneul do Tibete
Épagneul Japonês
Fox terrier,
Galgo Afegão – desenvolvimento de cataratas enquanto novo progredindo até à limitação da visão por volta dos 2/3 anos de idade
Galguinho Italiano - juvenil
Golden retriever – cataratas desenvolvem-se a diferentes idades, mas geralmente sem limitar a visão
Gordon setter – juvenile, adulto
Griffon Bruxellois - adulta
Havanês
Irish Setter - juvenil
Irish wolfhound - juvenil, adulto
Jack Russell terrier
Labrador Retriever – cataratas de progressão muito lentas entre 1 e 3 anos, que não afetam a visão
Lhasa apso - adulto
Malamute do Alasca - juvenil
Mastif Inglês
Norrbottenspets,
Nova Scotia Duck Tolling Retriever,
Pastor Alemão – congênita, juvenil
Pastor Australiano – congênita, juvenil, adulta
Pastor Belga – cataratas não progressivas, não limitam a visão
Pastor das Shetland
Pembroke Welsh Corgi - congênita, juvenil,
Pequinês,
Pinscher Miniatura – juvenil
Rottweiler - juvenil, adulto,
Samoieda - congênita, juvenil, adulta,
São Bernardo - juvenil,
Schnauzer médio - juvenil,
Schnauzer Miniatura – congênita, juvenile, adulta
Scottish Terrier - adulto,
Shar Pei,
Shih Tzu,
Siberian Husky - juvenil,
Staffordshire Bull Terrier – juvenil
Terra Nova,
Terrier do Tibeta – juvenil,
Welsh Springer Spaniel - juvenil,
West Highland White Terrier - congênita, juvenil,
Wheaten terrier,
Whippet - adulto,
Wire-haired Fox Terrier - juvenil,
Yorkshire terrier – juvenil